Capítulo 1 · Abrir a porta e pedir dinheiro emprestado
Zhang Yu tinha 157,3 yuans no bolso.
Aquilo era um fato, não uma metáfora. Ele contara duas vezes no metrô: uma nota de cinquenta, três de vinte, uma de dez, duas de um, e algumas moedas. Saldo no WeChat: 47,3. Limite do Jiebei no Alipay: zero. A fatura do cartão vencia na quarta-feira seguinte. Ele devia 1.763,5 yuans ao chefe Zheng: dois meses antes, uma compra coletiva de um AJ1 de edição limitada tinha dado em nada; tentando recuperar o prejuízo, ele ainda colocara o dinheiro de uma faca dobrável de colecionador em três caixas-surpresa de brinquedos de moda, e aquilo também sumira. A perda total alcançava, com precisão exata, um mês inteiro de salário.
Faltavam sete dias para o pagamento.
Em resumo: aquela conta não tinha solução.
Às sete e cinquenta e cinco, ele empurrou a porta dos fundos da loja de conveniência. O zumbido das lâmpadas fluorescentes esticava o ambiente inteiro como uma linha de pesca; a vibração baixa do refrigerador subia pela sola dos pés. Veio um cheiro misturado de macarrão instantâneo, produto de limpeza cítrico e borra do café da noite anterior. Em dias normais ele até achava aceitável. Hoje cheirava a dívida.
Enquanto trocava de roupa no vestiário, já havia passado mentalmente pelo que faria em seguida.
Na loja havia sete pessoas, contando com ele. Não era possível que todas as sete vivessem sem nenhum dinheiro sobrando. Alguém teria um extra no bolso e, aqui estava a parte decisiva, confiaria nele. O número de que precisava era 1.800: aguentar sete dias, devolver tudo no dia do salário, idealmente em menos de doze horas, de preferência sem deixar vestígio. Parecia razoável. Para ele, não havia problema nenhum.
Yan Long foi o primeiro.
Gerente da loja, trinta e um anos, de Beijing, com a vida financeira mais estável dali e sem demonstrar antipatia especialmente evidente por Zhang Yu. Zhang Yu calculou suas chances em sessenta ou setenta por cento: a precisão de reposição daquela loja era apenas 68%, então, pelo padrão local, não era pouco.
Ele encontrou Yan Long na área de recebimento, conferindo a nota de entrega enquanto empilhava mercadoria na prateleira. A luz fluorescente zumbia acima da cabeça dele, deixando seu rosto um pouco pálido. A nota estava presa sob a axila e cada mão carregava uma camada de garrafas de água. Zhang Yu esperou que ele colocasse a água, ajustou a voz no modo casual, relaxou os ombros e fixou o olhar num ponto à esquerda do ombro do outro.
"Irmão Yan, aconteceu uma coisa urgente aqui. Você me empresta 800? Eu devolvo no dia do pagamento."
Yan Long terminou de colocar a água. Virou-se e examinou Zhang Yu de cima a baixo com os olhos que usava para olhar validade de produto. Parou no rosto dele por uns três segundos.
"Pelas regras, funcionários não podem manter relações financeiras entre si. Afeta o ambiente de trabalho."
"...Qual regra?"
"Artigo quatorze do manual."
"..."
"Vai conferir."
Zhang Yu foi conferir. O artigo quatorze do manual tratava do procedimento de licença dos funcionários. Ficou um tempo parado com o manual nas mãos e, no fim, preferiu não voltar para confrontar Yan Long, porque discutir regras com alguém capaz de recitar uma cláusula inventada com toda calma era uma discussão impossível de vencer.
0/1.
Ding Nan estava no caixa. Organizava os recibos do dia, as mãos rápidas, pilha após pilha, o papel raspando de leve nas pontas dos dedos. Zhang Yu chegou do outro lado do balcão. Antes que abrisse a boca:
"Não empresto."
"Eu nem..."
"Não empresto."
Ela não levantou a cabeça. Empurrou uma pilha de recibos para dentro da gaveta, que fechou com um clique seco. O assunto acabou assim. Zhang Yu contou três segundos parado e foi embora.
0/2.
A irmã Guo era de outro estilo.
Ela arrumava o expositor de revistas quando ouviu as palavras "pedir dinheiro emprestado" e seus olhos se acenderam. Agarrou o pulso de Zhang Yu; sua mão era quente e apertava um pouco. "Ah, isso é destino. Ontem à noite falei com minha mãe e ela disse que este mês eu ia perder dinheiro. Eu disse, mãe, que perda de dinheiro o quê... Olha, olha..." Ela bateu no pulso dele. "Não é que chegou?"
Zhang Yu sentiu um fio de esperança.
"Na minha carteira sobraram exatamente 23 yuans. Quer pegar por enquanto?"
"...Irmã Guo, guarda para você."
0/3.
Huang Ruizi empilhava salgadinhos apimentados na prateleira. A tela do celular estava acesa; ela cutucava a beirada da capinha enquanto pensava palavra por palavra. Uma garota vinda de Zhumadian, do lado de fora do terceiro anel de Beijing, levou quase três minutos inteiros pensando em produtos de crédito.
"Irmão Zhang, por que você não tenta o compre-agora-pague-depois do Pinduoduo? O meu foi aprovado super rápido no mês passado, em um dia. É muito prático, viu."
"Eu preciso de dinheiro vivo."
"Então o Jiebei do Alipay. Eu ajudo você a ver o limite."
"O Jiebei já acabou."
Ela pensou mais um pouco. A conclusão veio com sotaque de Zhumadian, sincera e sinceramente sem saída:
"Então não tem jeito mesmo, não."
0/4.
O depósito tinha um cheiro pesado de papelão, misturado com óleo de máquina e poeira. Xu Dong carregava mercadoria sozinho, de costas para a porta, empilhando fileiras de caixas de água. Zhang Yu bateu duas vezes no batente, entrou, explicou a situação e esperou uns dez segundos.
Xu Dong não virou.
Soltou um resmungo e continuou carregando caixas.
0/5. A taxa de sucesso já não era um número que valesse a pena atualizar.
Zhang Yu encostou na entrada do depósito. O zumbido das lâmpadas vinha pelo corredor. No verso de um post-it, ele escreveu os números pela terceira vez: 157,3 menos 1.763,5 era igual a menos 1.606,2. Sete dias. Renda zero. O resultado continuava sendo o mesmo resultado. Ele não sabia por que fazia a conta pela terceira vez; talvez fosse aquela esperança supersticiosa de que "desta vez pode sair uma resposta diferente". Não saiu. Os números não mudaram.
Foi nesse momento que Weike passou por ele.
Zhang Yu não percebeu quando Weike tinha aparecido naquele corredor. O outro não parou de andar, mas lançou um olhar lateral ao passar: Zhang Yu já estava parado tempo demais na porta do depósito. Quando o post-it chegou a suas mãos, Weike já tinha andado dois passos.
Zhang Yu abriu o papel. Dizia: Posso emprestar. Falamos depois do expediente.
A letra era cuidadosa, traços retos, bem assentados.
Ele virou o bilhete várias vezes. Weike não era de falar muito. Em quase um ano trabalhando ali, Zhang Yu nunca o vira prometer qualquer coisa de modo leviano, nem deixar de cumprir o que dissera. Letra assim não parecia um gesto jogado. Pensou que provavelmente era sério: uns oitenta e sete por cento de certeza, mais alto que todos os números anteriores do dia somados.
Dobrou o post-it duas vezes e o enfiou atrás do crachá, como um rascunho inicial de recibo de empréstimo.
1/6.
No fim do turno, Weike tinha sumido.
Não havia ido embora do jeito normal: em algum momento antes de encerrar a troca de turno, simplesmente desaparecera. O crachá continuava pendurado no vestiário; a pessoa não estava. Zhang Yu esperou vinte minutos do lado de fora da saída dos funcionários, desde quando ainda havia claridade até os postes acenderem. Fim de tarde de abril em Beijing: o vento passava pelo corredor carregando cheiro de óleo da cantina distante. Ele mandou uma mensagem pelo WeChat. Ligou duas vezes. A resposta foi uma palavra: "Ocupado."
Depois disso, nada.
Parado ali, remontou a história inteira: o bilhete tinha sido oferecido pelo outro, a letra era cuidadosa, eles tinham se visto à tarde, não havia motivo algum para deixá-lo esperando. Então riscou cada condição, uma por uma, até sobrar apenas uma conclusão.
Tinham feito ele de trouxa.
Os oitenta e sete por cento foram a zero.
No verso daquele post-it, escreveu as contas pela quarta vez. Os números continuavam iguais. Escritos, pareciam ainda mais desesperadores do que antes; devia ser um efeito colateral de colocar as coisas no papel. Precisava lembrar de não fazer aquilo de novo. Dobrou o bilhete e o colocou outra vez no bolso: jogar fora parecia errado; guardar era ainda mais inútil.
Não havia nenhum sinal de melhora na situação.
Ele tinha uma carta na mão.
Dois meses antes, numa hora extra de inventário, esquecera a lanterna e avançava tateando no escuro atrás do depósito. Contornara uma fileira de prateleiras, dobrara a esquina e vira Weike parado ali. Verde. O corpo inteiro. Em torno dele flutuava um halo frio e estável, a cor de um aquário depois que apagam as luzes principais. Os dois se olharam por cerca de três segundos. Nenhum falou. Weike foi embora. Zhang Yu também. Desde então, nenhum dos dois mencionara o ocorrido. Por quase um ano, mantiveram um silêncio extremamente estável.
Pela lógica, aquilo não existia.
Ele passou a noite pesando aquela carta na palma da mão e chegou a um plano. A ideia central era: Weike não queria que aquilo fosse descoberto, e Zhang Yu sabia. Portanto, Zhang Yu só precisava aparecer e lembrar Weike de que sabia. O plano estaria completo. Ele ensaiou a execução três vezes na cabeça. Nas três, o resultado foi perfeito.
Na manhã seguinte, o chefe Zheng não telefonou. Veio pessoalmente.
Zhang Yu virou a cabeça e o viu parado do outro lado do caixa, com as mãos na cintura. Baixo, vestindo uma jaqueta desbotada de tanto lavar, com os olhos de quem já vira muita gente não pagar o que devia: o tipo de olhar que reconhecia você, mas não o tratava como pessoa.
"Xiao Zhang, você pretende pagar este ano ou no ano que vem?"
A primeira reação de Zhang Yu foi adiantar o plano. Ele procurou Weike e foi direto: você não apareceu ontem, mas hoje o chefe Zheng está aqui; ou você vem resolver a mentira de ontem, ou eu conto para a loja toda aquela coisa da noite. Ainda puxou o post-it para mostrar como prova.
Achou que era muito razoável.
A execução produziu um acidente que não estava no ensaio.
Quando disse as palavras "para a loja toda", não percebeu que o chefe Zheng já havia contornado a fileira de prateleiras ao lado. Zheng caminhava sem ruído, era baixo, passou rente à lateral do estante, e Zhang Yu não ouviu absolutamente nada.
"Rapaz, se tem alguma coisa para falar, fale direito."
O chefe Zheng estava ali. Olhou uma vez para Zhang Yu e para Weike e fez um julgamento que, em sua experiência, parecia perfeitamente natural: dois jovens, um sem coragem de pedir dinheiro abertamente, o outro indeciso sobre emprestar ou não. Voltou-se para Weike num tom imparcial, como um professor apartando uma briga no pátio da escola:
"Você é colega dele? Ele está pedindo dinheiro? Quanto? Diga o valor."
Weike não disse nada.
Zhang Yu também não. Aquela cena não se parecia com nenhuma das versões que ensaiara.
O chefe Zheng suspirou. Ele só viera cobrar, e agora parecia haver alguém capaz de cobrar por ele: a tarefa mais fácil desde que começara naquele ramo. Olhou novamente para Weike:
"Amigo, mesmo sendo empréstimo, um recibo ainda tem que..."
"Eu transfiro agora."
Weike o interrompeu, tirou o celular e transferiu 1.800 yuans, com a observação: "Pagamento de dívida; devolver qualquer excesso." Não disse mais nada. Virou-se e foi embora.
O chefe Zheng olhou a notificação do recebimento, assentiu e também foi embora.
Zhang Yu ficou parado no meio do corredor de prateleiras, fazendo aquela conta muitas vezes.
1.800 menos 1.763,5 deixava 36,5 yuans a mais. Não era erro de cálculo. Weike não era o tipo de pessoa que errava uma conta assim. Aqueles 36,5 extras tinham um significado silencioso: agora você me deve alguma coisa e, quando eu precisar de você, o ponto de partida é 36,5 yuans. Zhang Yu pensou que, na verdade, estava tudo bem. Ele devia algo, mas Weike também devia algo, porque aquela carta não tinha sido jogada.
Os dois deviam alguma coisa um ao outro.
No livro-caixa ficou um resíduo que não dava para explicar.
Pensou por um bom tempo e não conseguiu decidir se, afinal, quem saíra ganhando naquela conta era ele ou Weike.
Não dava para saber. Por enquanto, deixava em dívida.
No fim do expediente, viu um colega caminhar noite adentro: o corpo inteiro dele brilhava verde.